"O Triunfo da Cidade", de Edward Glaeser







Como os Arranha-Céus Podem Salvar a Cidade

Adaptado do texto de Edward Glaeser, publicado em 2011 na revista The Atlantic


Os arranha-céus, frequentemente criticados por sua imponência e impacto visual, são apresentados por Edward Glaeser como uma solução prática e eficiente para enfrentar desafios urbanos modernos, como a crise habitacional, a sustentabilidade ambiental e a promoção de economias dinâmicas. Este artigo analisa as ideias centrais de Glaeser, destacando como a verticalização, se bem planejada, pode beneficiar as cidades.


A densidade urbana como solução para a habitação


Historicamente, as cidades sempre buscaram maneiras de expandir sua capacidade habitacional sem aumentar demasiadamente seu território. A construção de edifícios altos, como os arranha-céus, permite que mais pessoas sejam acomodadas em áreas reduzidas, reduzindo os custos de moradia e evitando a dispersão urbana.


Um exemplo notável é o crescimento de Nova York no início do século XX. Entre 1890 e 1930, a cidade ergueu diversos arranha-céus, incluindo o Woolworth Building, com cerca de 241 metros de altura, e o Empire State Building, com 381 metros. Essas construções aumentaram significativamente a capacidade de habitação e de espaços comerciais, contribuindo para a acessibilidade em uma das cidades mais densas do mundo.


Glaeser critica políticas que restringem a altura de edifícios, como o limite de 25 metros imposto no centro de Paris em 1974. Ele argumenta que tais regulamentações limitam a oferta de moradias, tornando as cidades menos acessíveis e mais exclusivas. Em contraste, cidades como Hong Kong e Cingapura, que abraçam a verticalização, conseguem acomodar uma grande população em áreas reduzidas.


Verticalização e sustentabilidade ambiental


A expansão horizontal das cidades, característica de subúrbios americanos e de muitas cidades brasileiras, consome grandes áreas de terra, destrói ecossistemas e aumenta a dependência de veículos automotivos. Em contraste, a verticalização reduz o uso de terra e promove um uso mais eficiente dos recursos urbanos. Arranha-céus projetados com tecnologias sustentáveis, como sistemas de isolamento térmico, reaproveitamento de água e painéis solares, podem reduzir significativamente as emissões de carbono.


Nova York e Hong Kong são exemplos de como cidades densas podem ser mais sustentáveis. O transporte público eficiente e a proximidade entre residências, escritórios e serviços reduzem a necessidade de deslocamentos longos e contribuem para a diminuição da poluição.


Economias de escala e inovação


Cidades são, acima de tudo, espaços de interação humana. A proximidade proporcionada pela densidade urbana favorece a troca de ideias, o empreendedorismo e a inovação. Glaeser destaca que arranha-céus permitem a concentração de pessoas e empresas, o que é essencial para o dinamismo econômico.


La Défense, em Paris, é um exemplo de como os arranha-céus podem impulsionar economias regionais. Localizado a poucos quilômetros do centro da cidade, esse distrito concentra edifícios modernos e arranha-céus, proporcionando espaço para empresas sem comprometer o patrimônio histórico da Paris central.


Críticas às regulamentações excessivas


Glaeser argumenta que muitas cidades impõem regulamentações excessivas que limitam a construção de arranha-céus. Essas restrições elevam os custos imobiliários, afastando moradores e empresas de áreas centrais. Em Nova York, por exemplo, as regulamentações de zoneamento de 1916 e 1961 limitaram a altura dos edifícios e impuseram critérios complexos para novas construções, dificultando a criação de moradias acessíveis.


Ele defende uma abordagem mais simples e transparente, em que as cidades permitam construções mais altas mediante compensações financeiras aos moradores afetados, como no caso de sombreamento ou obstrução de vistas.


Preservação histórica e o crescimento urbano


Embora Glaeser reconheça a importância de preservar edifícios históricos e o patrimônio cultural, ele sugere que a preservação deve ser equilibrada com a necessidade de crescimento urbano. Restringir novas construções em áreas históricas pode levar ao aumento dos preços imobiliários e à exclusão de populações de renda média e baixa.


Um exemplo citado é a preservação da Quinta Avenida, em Nova York, onde mansões históricas deram lugar a arranha-céus. Glaeser defende que a preservação de marcos importantes, como o Flatiron Building, é essencial, mas isso não deve impedir o desenvolvimento de novos projetos que atendam às demandas contemporâneas.


Conclusão: o futuro das cidades verticais


Glaeser conclui que o sucesso das cidades no século XXI depende de sua capacidade de abraçar a verticalização como solução para desafios urbanos. Edifícios altos, projetados de maneira sustentável e integrados ao ambiente urbano, podem transformar as cidades em espaços mais inclusivos, dinâmicos e resilientes. A combinação de políticas inteligentes, tecnologia e inovação arquitetônica é essencial para equilibrar o crescimento urbano com a preservação ambiental e cultural.


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